Eu devia
ter uns oito ou nove anos quando a professora perguntou na sala o que
eu queria ser quando crescer. Claro, eu e a maioria das meninas
respondemos: “quero ser professora!”, eu ainda acrescentei:
“quero ser professora e escritora”. A minha terceira opção era
policial, mas devido ao meu hábito de bater no coleguinhas, logo
isso foi abolido do meu destino. Naquele tempo (não ouso dizer
quanto tempo faz), eu não tinha a noção do que era ser um
“educador”, mas achava o máximo o poder de passar conhecimento
para outras pessoas, sem contar o fato de estar com giz e apagador
nas mãos.
O curso
de História chegou em minha vida tão naturalmente quanto meus 18
anos. Uma formação política desde a infância e pais preocupados
com o “social” me fizeram ir direto a esta carreira e não
existia nada que me completasse tanto do que as ideias que eu
compartilhava ali. E o sonho de lecionar estava cada vez mais perto.
Eu sonhava com o momento em que ía fazer a chamada dos meus próprios
alunos, mostrar a eles a magia de se fazer história e tudo mais. Mas
a preguiça da juventude aliada ao pouco dinheiro me fizeram adiar
um este sonho.
Há duas
semanas, depois de alguns anos, entro na primeira vez em uma sala de
aula para ensinar história. São quatro turmas do ensino
fundamental II, e dezenas de conteúdos para colocar em dia na minha
cabeça antes de passar aos alunos. Mas minha maior preocupação é
que tipo de professor eu vou me tornar. Acredito que educação é
muito maior que apensas conteúdos programáticos, devemos preparar
nossos alunos para o mundo lá fora, mostrar que podem pensar por si,
desenvolver este espírito criativo que há neles e fazê-los
compreender que são parte do processo histórico da humanidade como
agentes ativos. Mas aí nos deparamos com algumas dificuldades.
Quando a
estrutura das escolas não é precária (nosso ensino público é
sucateado), são as concepções didáticas ainda presas ao método
de ensino tradicional que nos freia. Além disso, alunos
desinteressados por muitas vezes não nos respeitam em sala. O que
encontrei ao chegar em sala foi um misto de tudo isso. E depois que
fui contratada neste estágio, passo os dias pensando em como “fazer
a coisa certa”. O fato é que muitas coisas levam o professor ao
tradicional, por ser mais fácil, e quando me vejo tendo que adotar
certas práticas, fico pensando se estou mesmo no meu caminho. Hoje
consegui ter a minha primeira melhor aula: falamos de política, de
música e de história. E então tive a certeza de escrever este blog
para eu nunca esquecer o “por quê” de eu estar nesta profissão.
Pretendo fazer um diário como um desabafo e um lugar de encontro,
para trocarmos experiências, não só docentes, mas pessoas que como
eu, se preocupam com um mundo melhor por meio da educação.
Enquanto
isso, continuo no meu sonho de professora, mesmo com muita dureza,
muitas atividades para conseguir manter o interesse destes
adolescentes que estão cheios de energia e sem NUNCA NUNCA NUNCA
esquecer do mais importante: construir conhecimento junto a outras
pessoas não tem preço!!! A sala de aula vai muito além do que as
paredes das escolas...