Páginas

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Caminhando e cantando...

Eu devia ter uns oito ou nove anos quando a professora perguntou na sala o que eu queria ser quando crescer. Claro, eu e a maioria das meninas respondemos: “quero ser professora!”, eu ainda acrescentei: “quero ser professora e escritora”. A minha terceira opção era policial, mas devido ao meu hábito de bater no coleguinhas, logo isso foi abolido do meu destino. Naquele tempo (não ouso dizer quanto tempo faz), eu não tinha a noção do que era ser um “educador”, mas achava o máximo o poder de passar conhecimento para outras pessoas, sem contar o fato de estar com giz e apagador nas mãos.
O curso de História chegou em minha vida tão naturalmente quanto meus 18 anos. Uma formação política desde a infância e pais preocupados com o “social” me fizeram ir direto a esta carreira e não existia nada que me completasse tanto do que as ideias que eu compartilhava ali. E o sonho de lecionar estava cada vez mais perto. Eu sonhava com o momento em que ía fazer a chamada dos meus próprios alunos, mostrar a eles a magia de se fazer história e tudo mais. Mas a preguiça da juventude aliada ao pouco dinheiro me fizeram adiar um este sonho.
Há duas semanas, depois de alguns anos, entro na primeira vez em uma sala de aula para ensinar história. São quatro turmas do ensino fundamental II, e dezenas de conteúdos para colocar em dia na minha cabeça antes de passar aos alunos. Mas minha maior preocupação é que tipo de professor eu vou me tornar. Acredito que educação é muito maior que apensas conteúdos programáticos, devemos preparar nossos alunos para o mundo lá fora, mostrar que podem pensar por si, desenvolver este espírito criativo que há neles e fazê-los compreender que são parte do processo histórico da humanidade como agentes ativos. Mas aí nos deparamos com algumas dificuldades.
Quando a estrutura das escolas não é precária (nosso ensino público é sucateado), são as concepções didáticas ainda presas ao método de ensino tradicional que nos freia. Além disso, alunos desinteressados por muitas vezes não nos respeitam em sala. O que encontrei ao chegar em sala foi um misto de tudo isso. E depois que fui contratada neste estágio, passo os dias pensando em como “fazer a coisa certa”. O fato é que muitas coisas levam o professor ao tradicional, por ser mais fácil, e quando me vejo tendo que adotar certas práticas, fico pensando se estou mesmo no meu caminho. Hoje consegui ter a minha primeira melhor aula: falamos de política, de música e de história. E então tive a certeza de escrever este blog para eu nunca esquecer o “por quê” de eu estar nesta profissão. Pretendo fazer um diário como um desabafo e um lugar de encontro, para trocarmos experiências, não só docentes, mas pessoas que como eu, se preocupam com um mundo melhor por meio da educação.
Enquanto isso, continuo no meu sonho de professora, mesmo com muita dureza, muitas atividades para conseguir manter o interesse destes adolescentes que estão cheios de energia e sem NUNCA NUNCA NUNCA esquecer do mais importante: construir conhecimento junto a outras pessoas não tem preço!!! A sala de aula vai muito além do que as paredes das escolas...

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  2. Sem querer apaguei o primeiro post do blog...coisas de novatos!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rs, sem problemas, acontece! Acho que tem como você resgatar na lixeira, mas depois você vê com calma, eu falo de novo.
      O que disse é que tenho certeza que você será uma excelente professora, daquelas que marcam a vida de muitos alunos. Caráter e inteligência você já tem, o resto se conquista com o tempo.
      Parabéns pelo novo emprego e pelo blog. Excelente texto. Muito sucesso sempre!

      Tasca

      Excluir
  3. Massa Manu, adorei saber que você já está se iniciando nas artes negras, místicas e tenebrosas do labor em sala de aula. Ser professor é o mesmo que remar contra uma cachoeira voraz apenas usando as mãos. Mas quer saber? Que graça teria não poder fazer os alunos pensarem uma única vez? Mesmo que apenas um consiga! Risos... já terá valido a pena. Em breve, se Deus quiser, também irei me aventurar nessa seara!

    ResponderExcluir
  4. Puxa Beto, hoje quando um aluno da 8° série levantou um questionamento na sala sobre armamento, eu fiquei me sentindo a melhor pessoa do mundo. Ele fez uma boa ligação entre poder e massa de manobra, muito bem colocado a apartir de elementos de discutimos em sala. Essas coisas que me motivam cada dia mais...

    ResponderExcluir